A Bíblia para o mundo todo, campanha do “Último Idioma” pretende iniciar a tradução das Sagradas Escrituras para todas as línguas até 2025. Por Carlos Fernandes

Desde a Septuaginta, tradução da Torá hebraica para o grego, realizada por volta do 3º século antes de Cristo, nenhum outro livro foi tão traduzido, publicado e disponibilizado à humanidade quanto a Bíblia. Ao longo da História, a Palavra de Deus já foi traduzida, no todo ou em parte, para línguas faladas em todas as latitudes da Terra. De idiomas globais, como o inglês e o espanhol, a dialetos falados por pequenas tribos com não mais de algumas centenas de indivíduos, as Sagradas Escrituras estão hoje acessíveis a mais de 90% da humanidade, numa linguagem que podem entender. No entanto, ainda há muito por fazer. Estima-se em cerca de 4 mil as línguas e dialetos hoje existentes em que não há sequer um livro da Bíblia traduzido. Fazer a Palavra de Deus chegar aos falantes desses idiomas – quase 350 milhões de pessoas – é um desafio fundamental para que se cumpram as profecias bíblicas que condicionam o segundo advento de Cristo à disseminação do Evangelho por toda a Terra.

O primeiro passo já foi dado. Lançada em 2008, a Campanha do Último Idioma – Visão 2025 pretende que, até aquele ano, tenham sido iniciados trabalhos de tradução bíblica em cada uma das línguas em que ela ainda é inédita. O esforço, orçado em mais de US$ 1 bilhão (cerca de 1,8 bilhões de reais) é capitaneado pela Aliança Global Wycliffe, entidade internacional de tradução da Bíblia que congrega mais de 100 organizações em todo o mundo (ver quadro). Uma de suas parceiras na empreitada é a Sociedade Internacional de Linguística (SIL), tradicional organização cristã fundada em 1934 e que já realizou investigações científicas acerca de 2,6 mil línguas. E, passado três anos do início dessa mobilização, fica claro que não se trata de uma missão impossível. De acordo com Paul Edwards, diretor executivo da campanha, muitos passos já foram dados nesta direção. “Estamos no nosso melhor ano de todos em número de traduções já iniciadas”, garante. “Deus irá nos fornecer pessoas capacitadas e recursos para, finalmente, terminar esse esforço de mais de 2 mil anos.”

Os números recentes alimentam o otimismo. Em 1999, a própria Wycliffe fez uma estimativa segundo a qual seriam necessários cerca de 150 anos até que a última tradução fosse iniciada. Apenas dez anos depois, quinhentas traduções já estavam em andamento, a um ritmo médio de setenta e cinco novos idiomas por ano. E a tendência é o aumento gradativo na produtividade e abrangência do trabalho. Edwards credita o avanço às modernas tecnologias e a novas abordagens para a tradução da Bíblia, mesmo que para idiomas que não possuem forma escrita – as chamadas línguas ágrafas, como as faladas pelos indígenas brasileiros (ver quadro na seção CH Informa, na página 7 desta edição). Softwares de última geração permitem que os tradutores consigam analisar com precisão as particularidades de cada idioma, facilitando o trabalho de elaboração escrita. Além disso, a tecnologia representou o fim do penoso trabalho com papel e caneta, feito muitas vezes em regiões remotas, que necessitavam de transporte físico até centros mais avançados para, só aí, serem catalogados. Agora, um estudioso que esteja embrenhado na selva pode enviar textos para análise e tradução a partir de laptops, com comunicação via satélite. “É extraordinário esse ganho de tempo”, entusiasma-se Edwards.

Veja esta matéria na íntetra aqui no link da Revista Cristianismo Hoje

.: Fonte: Portal Adorando

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